Existe uma época em que não sabemos mais qual rótulo nos enquadra. Somos velhos demais para pensarmos na vida com a inconseqüência de um adolescente, e novos demais para agir com a segurança de um sábio e experiente adulto.
Marmanjos, corpulentos, rapagões. Crianças que precisam tomar decisões categóricas. Medo. Depois dos 20 é assim...
A vida já te mostrou como é bom dançar na chuva, o quão compensador é fazer alguém chorar de rir, e a ironia de rir de tanto chorar. Já começamos a perceber que somos como uma montanha russa. Em alguns momentos subimos, subimos, subimos. E quando nos acostumamos com as alturas e pensamos ter alcançado o céu, despencamos. O mesmo acontece quando queremos estar em linha reta, e um "looping" nos faz ver as coisas de cabeça para baixo.
Depois de um tempo pensamos que já sabemos percorrer pelo nosso próprio playground. Lembramos de todas as nossas apostas: cada derrota, cada vitória. Nossos passatempos nos transformaram no espelho da esperteza.
Nas brincadeiras de Bang-Bang, por exemplo, já sentimos a dor de um tiro certeiro no peito. E depois de desmoronar no chão e engolir muita poeira, descobrimos a hora de levantar e recomeçar o jogo outra vez. E o trem fantasma? Quanto terror foi preciso aspirar até descobrirmos a saída? Quantos palhaços já nos fizeram gargalhar? Quantas vezes a mulher-macaco escondeu a tua ilusão de óptica? Quantos ciganos já nos deram um destino? Quantos giros já demos na roda-gigante dos anos? Muitos, muitos...
Mesmo assim, somos levados a novos desafios. E as experiências passadas não ajudam muito, quando é necessário continuar "brincando de outros jogos", com outras regras. Não nos perguntam se já estamos cansados de tantas charadas e parábolas. Novos enigmas precisam ser desvendados. E eu começo a acreditar que não importa o tempo neste lugar, nunca seremos os trilhos. Somos carrinhos, conduzidos ladeira abaixo.
O que é preciso? Talvez sorte, saber ganhar e perder. Olhar pra cima e descobrir as estrelas vistas de um Kamikaze. Saltar cada vez mais alto do pula-pula, mesmo depois das tantas quedas. Dissolver o orgulho e aceitar a dificuldade de mirar em novos alvos.
Talvez se fosse diferente, não tivesse graça. Eu, pelo menos, não pretendo andar só de carrossel. A adrenalina, por sua vez, nunca está em promoção. Pago caro por ela.
Mas até agora, tem valido a pena.
Ah, e esqueçamos os rótulos, talvez isto descomplique bastante as coisas.
Domingo, 18 de Maio de 2008
Vida louca vida.
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Enquanto o Brasil, vivia o apogeu da Ditadura Militar, Chico Buarque compôs a música “Tanto Mar” em homenagem a Revolução dos Cravos, não esquecendo, claro, da realidade brasileira na ocasião.
A música foi censurada e Chico teve que mudar os versos originais. Os tempos são outros, mas sensibilidade poética( e política) do Chico Buarque, me impressionam, sempre!
(E eu ainda preciso dizer que trabalhos, como esse, sobre o Governo Militar, me deixam super, ultra, mega empolgada? :D)
*A “Revolução dos Cravos”, foi o movimento que derrubou a ditadura fascista do “Estado Novo”, em Portugal, inaugurada por Oliveira Salazar em 1933. A Revolução foi bravamente comandada por jovens militares de baixa patente, muitos inspirados em ideais democráticos e socialistas. A juventude portuguesa colocava cravos e flores nos fuzis dos soldados em comemoração a restauração da primavera democrática, libertária e anti-colonialista.
Domingo, 11 de Maio de 2008
Sábado, 10 de Maio de 2008
Da série "considerações nada pertinentes..."
Só hoje reparei que "puxa vida" é eufemismo pra "puta merda".
PUXA vira PUTA,
VIDA vira MERDA.
Porém merda é adubo.
Logo: merda gera vida.
Me perco, mas nem sei o caminho.
...E a idéia, pra criar o que eu preciso, não vem!
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Sessão TPM, sinônimo: neura!
Já achei um dia que a vida fosse ouvir Bossa Nova, gostar do Cazuza e estar sempre impecável... Percebi que ter tudo isso até me fez sentir plena por um tempo, só que agora preciso deixar meus sonhos malucos de lado e viver uma realidade.
Ando cansada de fazer as pessoas felizes. Preciso também ser cuidada, não quero me esconder na imagem de uma auto-suficiente moderninha.
Porque sou eu sempre que tomo iniciativas?
Entendo que faça parte da minha personalidade, mas convivendo com tanta gente diferente nesses últimos meses cheguei à conclusão que não encontrei o que preciso, ou quem preciso!
Qual a graça de ter um relacionamento do tipo estar com alguém que te liga todos os dias, pergunta como foi seu dia mas não te abraça e fala: "Como sou feliz ao teu lado. Você é muito importante para mim...!". Não enxergo isso, às vezes imploro carinho calada...
Hoje tenho um conceito muito diferente sobre o amor...É lógico que existem caras especiais, com todas as qualidades que eu procuro em alguém, porém com a tal barreira que não me permite conversar e colocar pra fora o que realmente sinto ou me incomoda.
Cansei de só eu desistir das coisas que me fazem bem...Cansei de pesquisar sobre o mundo de quem convivo relacionando-me e nunca ouvir perguntas à respeito do que realmente admiro!
Talvez eu exponha demais a minha vida...Vai ver que não há mais a mínima graça ou qualquer tipo de mistério em relação a ela. Quem sabe não seja hora de sumir, e esperar que alguém que faça a diferença pra mim, venha atrás, por qualquer sentimento próximo ao amor...
No fundo acho que toda mulher sonha com o "felizes pra sempre" com alguém. Eu nunca desisto de vivê-lo, muito embora tenha percebido que na prática isso anda me machucando...
Me sinto só, mesmo estando sempre com tanta gente em volta. A cada dia que passa, tenho mais certeza disso.
Domingo, 4 de Maio de 2008
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Pero sin perder la ternura...
Não vou deixar essa vida me endurecer. Não posso, não vou.
Acho que eu já devo ter falado isso por aí, mas não canso de repetir algumas coisas... Esse ritmo frenético imposto pelo cotidiano nos "enrola" e sem perceber somos levados no redemoinho, assim, facilmente, quase sem querer. E isso me preocupa seriamente.
Hoje em dia não há mais tempo para a contemplação, para o refletir, para o pensar. E isso é triste. Se não pensamos, deixamos de existir. É cartesiano, mas é verdade. Se não existimos, não estamos aqui, estamos em qualquer outro lugar…mas nunca no momento em que estamos vivendo. Somos zumbis, marionetes, bonecos. Sempre além, sempre ausentes. Frios.
Manipuláveis e manipulados.
Não quero. Não vou. Não posso.
Não vou me deixar ensurdecer pelo barulho intermitente dessa vida louca. Preciso constantemente me exercitar e me lembrar de fechar os olhos para o mundo a fim de enxergar a poesia das coisas. A fim de ouvir a música dos dias. A melodia das horas. De admirar a dança das cores, odores, sabores e amores que fazem parte da nossa vida.
Ainda existe luz em alguns sorrisos. Ainda encontramos conforto em certos abraços. Ainda é possível sentir doçura em algumas palavras. Ainda há felicidade nos encontros.
Ainda há esperança nos olhares. Ainda tem gente que procura verdadeiramente ser feliz.
Não ser mais rico, mais bem sucedido, mais bem relacionado, mais bonito, mais magro, mais qualquer outro valor que porventura esteja na moda por aí… mas total e simplesmente feliz.
E é clichê - e por ser clichê, muitas vezes é desvalorizado - mas a felicidade está tão próxima, tão escondida em pequenas coisas que simplesmente não notamos...
Eu ainda paro para sentir o vento. Eu converso com flores, cachorros, gatos e crianças. Eu recito poesias enquanto cozinho, às vezes canto, mesmo não sabendo cantar. E digo “eu te amo”, antes de desligar o telefone quando falo com minhas amigas.
Eu ainda toco as pessoas. As abraço, seguro em suas mãos, as beijo e faço questão de demonstrar a elas o quanto são importantes para mim.
Pra mim, isso é viver e sentir, é trocar. É ser total e completamente humano.
Não vou deixar essa vida me endurecer. Porque quando endurecemos, quebramos.
Quero ser fluida, flexível, mutável, líquida. E preencher cada espaço que essa vida me reservar...
Para então, um dia, quem sabe...
...transbordar.
